Avaliação preliminar da reconstrução do ligamento colateral medial em atletas com parafusos de interferência e enxerto do tendão do músculo semitendíneo

Publicado em: 5 de maio de 2020 por Dr. José Carlos Garcia Jr.
Categorias: Trabalhos Científicos - Cotovelo

Apresentado:
Congresso Brasileiro de Artroscopia e Traumatologia Desportiva:
2009-Belo Horizonte-Brasil
Apresentação Oral
Congresso Latino-Americano de Cirurgia de Ombro e Cotovelo
2009-Porto de Galinhas/Brasil
Pôster

Avaliação preliminar da reconstrução do ligamento colateral medial em atletas com parafusos de interferência e enxerto do tendão do músculo semitendíneo.

Trabalho apresentado no Congresso Brasileiro de Traumatologia Desportiva 2009 e no Congresso Latinoamericano de cirurgia do ombro e cotovelo 2009

Em atletas de alta demanda a lesão do ligamento colateral medial do cotovelo pode levar a um deficit funcional importante. Em 1986 Jobe reportou sua experiência cirúrgica para reconstrução ligamentar no cotovelo em atletas.

Desde então outros autores mostraram novas técnicas que proporcionaram reabilitação mais precoce decorrente de métodos de maior resistência da fixação do enxerto. Nesse sentido mostraremos nossa experiência com reconstrução do ligamento colateral medial do cotovelo utilizando o tendão do semitendíneo e parafusos de interferência.

De janeiro de 2004 a dezembro de 2007 foram operados 5 atletas de alto nível após lesão do ligamento colateral medial do cotovelo. Em todos os pacientes foi realizada cirurgia pela via medial. Após a visualização e separação do nervo ulnar e do cutâneo medial do antebraço é feito um furo de 5,5mm de diametro por 15 mm de profundidade na porção medial da base do coronóide. O centro de rotação do úmero na articulação do cotovelo é encontrado e outro furo com as mesmas medidas do anterior é feito. Com auxílio de um “striper” é retirado o tendão do músculo semitendíneo do joelho para enxerto. Utilizando 2 parafusos de interferência de 5mm biotenodese e enxerto autólogo do semitendíneo o ligamento é reconstruído.

Em 2 pacientes não realizamos anteriorização do nervo ulnar associada em 3 associamos a anteriorização. Todos foram examinados com mais de 1 ano pós operatório através da goniometria e graduados com SF-36. Nos 2 dos casos em que o nervo ulnar não foi anteriorizado houve neuropraxia, no primeiro caso houve melhora espontânea no 8º mês PO e no outro caso foi necessária anteriorização no 9º mês PO, reproduzindo os resultados reportados no primeiro trabalho de Jobe. A média do SF-36 foi de 145 e não houve perda de arco de movimento mensurável se comparado com o lado
contralateral. A imobilização foi reirada na primeira semana PO e a reabilitação iniciou com protocolo acelerado, fato que contribuiu para o resultado de ganho de ADM.

Com excessão do caso em que o nervo ulnar teve que ser anteriorizado, todos retornaram as atividades atléticas em nível competitivo em período de 9 meses PO, nesse caso específico o retorno competitivo ocorreu com 12 meses. A média de perda do ADM em relação ao lado contralateral foi de 2º(0º-5º) a média do SF-36 foi de 149 do ?raw scale?

para capacidade funcional foi 100% para limitação física 100% e para dor 98%(90-100). Nossos resultados como os de Jobe(1986) mostraram piores índices quando a anteriorização do nervo ulnar não foi realizada. A cirurgia permitiu a reabilitação precoce sem uso de órtese para proteção e o retorno às atividades mais rapidamente que a técnica tradicional reproduzindo a hipótese do trabalho biomecânico de Ahmad(2003) com uso de parafusos de interferência em cadáveres e avaliação do estresse em valgo. O uso de tendão do semitendíneo mostrou-se uma opção viável,
principalmente em pacientes de alta demanda funcional ou ausência do palmar longo.