Estudo da Tenodese Artroscópica da Cabeça Longa Biceptal no Coracóide Associada à Transferência para o Tendão Conjunto em Comparação com a Tenodese Biceptal na Cabeça Umeral

Publicado em: 5 de maio de 2020 por Dr. José Carlos Garcia Jr.
Categorias: Trabalhos Científicos - Ombro

Apresentado
Congresso Latino-Americano de Cirurgia do Ombro e do Cotovelo
2009-Porto de Galinhas-Brazil
Poster

Arthroscopic long head of biceps tenodesis in coracoid.
2013-Natal-Brasil
Comparative study between arthroscopic tenodesis of the biceps, long head in the coracoid versus humeral head.

Congresso Brasileiro de Cirurgia de Ombro e Cotovelo
2014-Fortaleza-CE
Estudo da Tenodese Artroscópica da Cabeça Longa Biceptal no Coracóide
Associada à Transferência para o Tendão Conjunto em Comparação com a
Tenodese Biceptal na Cabeça Umeral
Pôster

Introdução
A cabeça longa do bíceps (CLB) tem sido descrita e conhecida por todos como uma importante fonte de dor no ombro, entretanto seu tratamento ainda continua gerando controvérsias. Quando o tratamento conservador não é bem sucedido, as opções cirúrgicas incluem a tenotomia e a tenodese. O autor realizou ume estudo prospectivo randomizado apresentando duas técnicas cirúrgicas comparando-as entre si através de dois grupos de pacientes.

Materiais e Métodos
Todos os pacientes foram operados em posição de cadeira de praia com protocolo anestésico regular, geral associado ao bloqueio do plexo braquial.

Foram realizadas 46 cirurgias para tendinopatia biceptal, 7 pacientes não completaram os protocolos pós-operatórios e foram retirados da série. Dos 39 restantes, em 15 realizamos a tenodese artroscópica do bíceps no coracóide associada à solidarização do tendão conjunto com o cabo longo seguindo conceitos de O`Brien e Gilcreest, nos outros 24 casos foi realizada
tenodese artroscópica com ancoragem no úmero.

Os pacientes foram escolhidos de forma randomizada. Todos os pacientes foram avaliados no pré-operatório utilizando UCLA. No 6º mês pós-operatório os pacientes foram avaliados com UCLA, SF-36, escore bruto de dor, limitação física e função. A diferença entre os grupos foi avaliada utilizando o teste de Mann-Whitney através do programa de análises estatísticas SSPS versão 13.0 considerando significância estatística o p 0,05.

Resultados
No grupo de tenodese no coracóide associada à solidarização a média do UCLA pré- operatório foi de 22,13, no 6º mês pós-operatório o UCLA passou para 33,27 o SF-36 foi de 140 e as escalas brutas para dor, função e limitação física foram respectivamente 95%, 95% e 96%. No grupo de tenodese no úmero a média do UCLA pré- operatório foi de 20,88, no 6º mês pós-operatório o UCLA passou para 32,42 o SF-36 foi de 139 e as escalas brutas para dor, função e limitação física foram respectivamente 90%, 95% e 95%. Dos 39 acientes com patologia biceptal 30 apresentavam associada lesão do músculo supraespinhal, 9 lesão do subescapular.

O UCLA pré-operatório dos grupos não demonstrou diferença estatística atestando a homogenicidade dos grupos. Nos resultados não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos em nenhum dos ítens medidos.

Discussão
O tratamento do das patologias biceptais continua controverso na literatura e sua exata função cinemática também não está elucidada. Alguns autores
acreditam que o tendão apresenta importante função na estabilidade do ombro, outros que é apenas uma estrutura vestigial sem significância biomecânica.

Mesmo com essa discussão a sua importância como causador de dor no ombro tem sido amplamente aceita. O tratamento cirúrgico do bíceps continua controverso. As opções cirúrgicas incluem tenotomia, tenodese ou transferência.

Em pacientes jovens a deformidade e dor no trajeto do bíceps causados pela
tenotomia não são bem aceitos, nesses casos ou em casos onde já será realizada a reconstrução do manguito a tenodese ou transferência são opções melhores. A transferência permite a cicatrização de partes moles e de acordo com O`Brien recria o eixo natural do bíceps, além de prevenir a tensão excessiva do bíceps.

Para aumentar a força de fixação associamos a tenodese do coracóide a esse
procedimento de partes moles em um de nossos grupos. A despeito das explicações acima cremos que o local original do cabo longo deve seguir o sulco biceptal. A fixação no úmero pode equilibrar a tensão que a cabeça curta faz do úmero contra a glenóide. Por outro lado procedimentos no coracóide podem aumentar essa tensão e favorecer a longo prazo patologias do manguito. Em nosso estudo, entretanto a única diferença que foi encontrada entre as técnicas foi o maior grau de dificuldade da tenodese no coracóide.