Lesão do bíceps distal abaixo da transição Miotendínea: Relato de caso e apresentação de nova técnica cirúrgica

Publicado em: 5 de maio de 2020 por Dr. José Carlos Garcia Jr.
Categorias: Trabalhos Científicos - Cotovelo

Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia

2008 – Porto Alegre – Brasil
Pôster

2009 – Rio de Janeiro – Brasil
e-pôster

A lesão do bíceps distal é uma patologia rara e reconhecidamente de tratamento cirúrgico em pacientes de alto e moderado débitos funcionais devido ao déficit de força para a supinação, flexão e deformidade estética. As opções cirúrgicas conhecidas são a solidarização com o músculo braquial, em desuso devido a sua pouca valia funcional, reinserção
na tuberosidade biceptal pela via anterior ou a mini-dupla-via de Morrey. Entretanto essas opções são para lesões insercionais distais. As lesões que ocorrem na transição miotendínea são mais raras e as que ocorrem no tendão logo abaixo da transição são extremamente raras.

Em nosso trabalho apresentaremos a lesão completa do tendão biceptal abaixo da transição miotendínea em 2 atletas de alta performance e a
técnica cirúrgica que criamos para essa rara patologia.

Materiais e Métodos
Dois atletas do sexo masculino, um de? vale tudo? e um de Muay Thay que após sofrerem trauma direto na fossa cubital durante a prática esportiva configurando uma lesão traumática do tendão biceptal.

O diagnóstico da lesão foi feito pelo exame físico, observando equimose
anterior, deformidade estética e déficit funcional principalmente para supinação e com o exame de Ultrassonografia.

Na técnica cirúrgica utilizamos a via anterior com visualização do nervo
interósseo anterior, pontos simples e contínuos-ancorados no tendão biceptal e pontos tipo Bunnell foram usados. Além disso, foi feito um reforço em figura de 0 com enxerto do palmar longo ipsilateral.

A avaliação subjetiva comparativa de força muscular graus (0 a 5) e índice de satisfação 10, completamente satisfeito, a 0 , insatisfeito.

Resultados
Ambos os pacientes retornaram às atividades físicas em nível competitivo 6 meses após o ato cirúrgico. O índice de satisfação dos pacientes foi 9,5. e a força para supinação passou de 4 a 5 e flexão de 4 para 5. A idade dos atletas era de 34 e 32 anos.

Conclusão
Devido à história dos pacientes, concluímos que o mecanismo desse tipo de
lesão foi o trauma direto na fossa antecubital.

Essa situação é incomum, mas causa em atletas de alto nível perda importante da performance em situações de alto débito funcional, por isso indicamos cirurgia com enxerto tendíneo do palmar longo em figura
de 0, que dá mais segurança e auxilia no retorno precoce às atividades.
Nossos pacientes apresentavam o músculo palmar longo, mas cremos que em pacientes com a ausência desse tendão o tendão do músculo grácil pode ser uma boa opção de enxerto.

Em pacientes de baixo débito funcional cremos não ser necessário o reforço com enxerto de tendão.

A via anterior é a de escolha para esse tipo de lesão devendo-se prestar atenção na anatomia local,principalmente no nervo interósseo posterior.