Lesão do Nervo interósseo posterior

Publicado em: 4 de maio de 2020 por Dr. José Carlos Garcia Jr.
Categorias: Lesões Nervos

O nervo interósseo posterior origina-se na bifurcação do nervo radial, antes da arcada de Frose,sendo um ramo exclusivamente motor que inerva os extensores do punho e músculo supinador.

O nervo interósseo posterior pode ser lesado ou comprimido em qualquer região de seu trajeto e então há perda da função dos músculos acima citados como de inervação específica desse nervo.

A impossibilidade de extensão dos dedos, assim como perda de força para extensão do punho, apresentando esse desvio radial a esse movimento são indicativos de lesão desse nervo. Se houver mão caída sem possibilidade de extensão do punho significa que o músculo extensor radial longo do carpo está envolvido e a lesão é alta, ou seja do nervo radial antes da bifurcação.

Após a lesão do nervo há um aumento na concentração das enzimas hidrolíticas dentro de 12 horas da lesão, que é associada com a perda de proteína básica da bainha. A bainha de mielina entra em colapso em gotículas de gordura do citoplasma de células de Schwann. Essas gotículas subsequentemente fazem extração no espaço endoneural e são fagocitadas por macrófagos. Conforme este processo ocorre, as células de Schwann começam a proliferar, especialmente ao redor do espaço produzido quando há corte do nervo. Essas alterações acontecem dentro de 14-21 dias após a lesão e o resultado final é um tubo endoneural vazio com as células de Schwann proliferativas.

O novo crescimento do axônio ocorre no tubo endoneural desde que ele esteja intacto. Contudo, quando há o rompimento do nervo, e conseqüentemente um espaço no tubo no local da lesão, a regeneração é improvável, a menos que o nervo seja suturado ou enxertado, caso a sutura direta seja imposível.

A proliferação das células de Schwann, que ocorre no comprimento do tubo e particularmente no ponto de rompimento, ajuda a guiar o axônio para o tubo e elas podem fazer uma ponte sobre o espaço se o rompimento não for muito grave.

Nesse nervo específico apenas há ramos motores.

Há necessidade de extrema precisão aumento da visão e filtragem do microtremor na sutura ou enxertia nervosa durante o procedimento cirúrgico.

Um fator que poderia deter a regeneração é a presença do tecido cicatricial que pode bloquear a via do axônio em crescimento, se ocorrer esse tecido deve ser visualizado e retirado.

Se o nervo for cortado longe dos músculos que ele inerva, a degeneração do músculo pode ocorrer antes que o nervo em regeneração o atinja.

Durante a regeneração, o axônio cresce a uma velocidade de 1-2mm por dia, embora a velocidade tenda a ser um pouco menor conforme ele se estende longe do corpo celular.

Para a melhora do quadro é necessária a reconstrução do nervo o mais rápido possível.

Algumas vezes é necessário o uso de enxerto nervoso do nervo sural e mais recentemente o uso de neurotubos (condutores nervosos).

Para melhorar a acurácia do procedimento o robô cirúrgico pode ser usado, ele filtra os microtremores e magnifica a imagem de acordo com a necessidade do cirurgião mantendo a visão em 3 dimensões. Mesmo assim essa é uma lesão grave e mesmo com todos os cuidados,em se dependendo da gravidade, resultados não tão animadores podem ocorrer.