Lesão do Plexo Braquial

Publicado em: 4 de maio de 2020 por Dr. José Carlos Garcia Jr.
Categorias: Lesões Nervos

O plexo braquial é um conjunto de estruturas vásculo-nervosas a partir das quais se originam os todos os nervos e vasos dos membros superiores. Ele é formado pelas raízes C5, C6, C7, C8 e T1 em alguns casos pode haver contribuição de C4(nos pré-fixados) e T2(nos pós-fixados). Os ramos de C5 e C6 unem-se para formam o tronco superior, o C7 dá origem ao tronco médio e C8 e T1 unem-se para formar o tronco inferior. Do tronco superior sai sobre os escalenos o nervo frênico. Do tronco superior também sai o nervo supraescapular. Os troncos originam os cordões lateral, medial e posterior e desses cordões originam-se basicamente todos os nervos periféricos dos membros superiores.

A lesão do plexo braquial é comum em adultos, principalmente por acidentes de moto, onde ocorre distensão dos nervos e muitas vezes lesão dos mesmos. Se não há retorno das funções até 6 meses após a lesão o reestabelecimento é complicado e ganhos de movimento podem ser obtidos muitas vezes com transferências musculares. Se diagnosticado precocemente e se for de indicação cirúrgica a reconstrução da anatomia dos nervos pode trazer o retorno das funções.

A exploração cirúrgica do plexo pode ser realizada precocemente desde que hajam fortes indícios de sua lesão ou em casos onde será abordade a região por outras causas como em fraturas da clavícula.

A paralisia de Erb é a forma mais comum de lesão. Caracteriza-se por dano às raízes nervosas superiores (C5 e C6) do plexo braquial, onde ocorrerá paralisia de todos os músculos inervados por essas raies, como: deltóide,supinador do antebraço, braquial, braquiorradial, supra-espinhoso, infra-espinhoso e bíceps. Se os músculos rombóide, elevador da escápula e serrátil anterior estiverem envolvidos é mal sinal de prognóstico, visto que esses músculos são inervados por nervos que saem diretamente das raízes nervosas(escapular dorsal e torácico longo) e a sutura nervosa nessa região é complexa e de maus resultados.

Na paralisia de Erb o membro superior encontra-se hipotônico, pendente ao lado do corpo em adução, rodado medialmente, com o antebraço pronado e estendido. A função da mão encontra-se preservada.

A paralisia de Klumpke ocorre com menor freqüência. Trata-se de danos as raízes nervosas inferiores (C7, C8, T1) do plexo braquial.

Nesse caso, os músculos afetados são os flexores do pulso e dedos e os músculos intrínsecos da mão.

Logo, a motricidade do braço e antebraço é mantida. Enquanto que a mão aprenta fraqueza muscular e déficit sensitivo na porção média e medial do antebraço e da mão.

A paralisia de Erb-Klumpke é a lesão total do plexo braquial. É rara e com difícil determinação da localização exata da lesão anatômica. A lesão afetará todo o braço, que se encontra completamente flácido.

As manifestações clínicas como atrofia, hipomobilidade, edema, hematomas são indicativas. A eletroneuromiografia e ressonância magnética podem ser utilizadas principalmente nos três primeiros meses objetivando localizar a lesão e definir o grau de envolvimento dos nervos. O tratamento deve seguir orientação médica e a reconstrução cirúrgica do plexo e transferências musculares podem auxiliar a recuperação. A fisioterapia é de extrema importância para manter o arco de movimento, manter a viabilidade muscular e na reeducação e treino muscular após o ato cirúrgico se esse for necessário.