Nova técnica de dupla fileira transóssea artroscópica na reconstrução do manguito rotador

Publicado em: 5 de maio de 2020 por Dr. José Carlos Garcia Jr.
Categorias: Trabalhos Científicos - Ombro

Trabalho apresentado
Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
2008-Porto Alegre-Brasil
Pôster

Introdução
As técnicas de sutura artroscópica do manguito tem constantemente evoluído. Os reparos em fileira simples tem sido bem sucedidos em grande porcentagem dos pacientes. Com o intuito de aumentar o índice de sucesso da técnica artroscópica, foi magnificada a superfície de contato osso-tendão com o sistema de dupla fileira ( double-row).

Para aumentar mais ainda a interface de contato osso-tendão, deBeer, Sugaya e Lafosse e Cole criaram e difundiram o conceito da dupla fileira transóssea, o que faz-nos tembrar de métodos mais antigod de sutura aberta.

Em nosso serviço temos desenvolvido uma técnica própria de dupla fileira transóssea e nosso trabalho pretende demonstrar esta técnica e seus resultados preliminares.

Materiais e Métodos
De janeiro de 2005 a setembro de 2007 foram realizadas 17 reconstruções do manguito rotador com o sistema de dupla fileira transóssea modificada.

Todos os pacientes apresentam vida física ativa.

A artroscopia foi realizada utilizando posição de cadeira de praia. Foram utilizadas em todas cirurgias âncoras bioabsorvíveis Biozip 5,5mm, com a sutura em forma triangular similar à técnica de correntes de Burkhead, para aumentar área de aderência do tendão osso.

A avaliação dos pacientes foi realizada sempre pelo mesmo médico, pré e pós-operatoriamente e as cirurgias também foram realizadas pelo mesmo médico.

O grau da dor pré e pós-operatória foi avaliada usando uma escala subjetiva com nota 10 para a dor atual e 0 indolor. Os resultados pré e pós-operatórios também foram medidos utilizando o UCLA.

Resultados
A média de idade foi de 45,11 anos, variando de 32 a 58 anos. Três de nossos pacientes eram mulheres, e 14 eram homens. 15 cirurgias foram realizadas no lado dominante, e 2 no não-dominante. Na avaliação prévia, de acordo com critérios da UCLA, os pacientes tiveram média 23,17 (variando de 21 a 27). No sexto mês de PO, de acordo com critérios da UCLA, os pacientes tiveram média 33,06 (variando de 27 a 35). Todos os pacientes apresentaram melhora da dor em análise subjetiva( nota média 10 dor pré operatória para 1 no PO).Uma paciente desenvolveu quadro de ombro congelado, com melhora após tratamento fisioterápico mas com perda de 25 graus de elevação e 15 graus de rotação externa.

Discussão
Estudos tem demonstrado bons resultados com a técnica de dupla fileira transóssea. Todavia, não nos parece uma boa idéia em pacientes com grandes retrações, e é mais bem indicada em pacientes jovens ou com atividade atlética. Estas idéias também são compartilhadas por JS Abrams.

Observamos que, no pós-peratório imediato, estes pacientes apresentavam mais dor, o que pderia ser explicado pela existência de maior tração tendínea. Todavia, esta dor melhora nos primeiros meses, possivelmente após a reacomodação do sistema de deslizamento do manguito rotador.

Cremos que a dupla fileira, em especial transóssea, tem seu espaço em casos específicos, com pacientes mais jovens ou com atividade atlética.

Nossa técnica nesses casos demonstrou bons resultados funcionais e segurança.