Técnica e resultado do tratamento artroscópico da lesão do tendão subscapular

Publicado em: 5 de maio de 2020 por Dr. José Carlos Garcia Jr.
Categorias: Trabalhos Científicos - Ombro

Apresentado
Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
2008 Porto Alegre-Brasil
Pôster

Introdução
A ruptura do tendão subescapular é uma lesão rara, tendo sido descrita inicialmente por Hauser em 1954. O manejo dessa lesão é difícil por meios artroscópicos, e por essa causa muitos cirurgiões preferem a técnica aberta.

Em nosso serviço temos utilizado a técnica artroscópica em cadeira de praia com apoio do membro a ser operado em uma mesa de Mayo. Com isso, propicioamos o relaxamento do deltóide, o que facilita a colocação dos intrumentos e o manejo artroscópico do tendão.

Nosso trabalho pretende mostrar nossa técnica e nossos resultados preliminares.

Materiais e Métodos
De janeiro de 2005 a outubro de 2007 foram operados 6 casos de lesão completa do tendão subescapular por artroscopia, utilizando-se a posição de cadeira de praia com elevação do ombro na mesa de Mayo para abertura de espaço subdeltóide.

Foram utilizadas em todas cirurgias as técnicas de reparo extraarticular com âncoras 5,5mm BioZip Stryker.

Dos 7 pacientes operados 2 apresentavam lesão biceptal com mais de 50% de comprometimento deste tendão, e foram submetidos a tenodese do mesmo/1 apresentou lesão irreparável do supraespinhal, tendo sido realizada tenodese biceptal e bursectomia/ 1 apresentou concomitantemente luxação anterior do cabo longo do bíceps, e também foi realizada tenodese biceptal/ 1 apresentou lesão completa da porção anterior do supra-espinhal que também foi reconstruída no mesmo ato, e 3 pacientes apresentaram a lesão isolada do subescapular.

A avaliação dos pacientes foi realizada sempre pelo mesmo médico, pré e pós-operatoriamente e as cirurgias também foram realizadas pelo mesmo médico.

O grau da dor pré e pós-operatória foi avaliada usando uma escala subjetiva com nota 10 para a dor atual e 0 indolor. Os resultados pré e pós-operatórios também foram medidos utilizando o UCLA.

Resultados
A média de idade foi de 50 anos, variando de 64 a 32 anos. Três pacinetes eram do sexo feminino, e dois eram, do sexo masculino. Seis cirurgias foram realizadas no membro dominante, e uma no membro não-dominante.

Na avaliação prévia, de acordo com critérios da UCLA, os pacientes tiveram média 17,28 (variando de 8 a 23). No sexto mês de PO, de acordo com critérios da UCLA, os pacientes tiveram média de 28,86 (variando de 17 a 34).

Todos os pacientes apresentaram melhora da dor em análise subjetiva ( nota média 10 dor pré operatória para 2 PO).Nenhum paciente apresentou
lesões nervosas, no pós-operatorio.

O paciente com luxação biceptal anterior desenvolveu ombro congelado, e foi realizada liberação cirúrgica após 6 meses de tratamento conservador frustrado. Neste caso o UCLA pós-operatório utilizado foi medido 6 meses pós liberação artroscópica do ombro.

Discussão
Os pacientes operados apresentaram melhora da dor, força para rotação interna e ADM ativo do ombro. Nossos resultados foram melhores no tratamento das lesões isoladas do subescapular, talvez por estes pacientes apresentarem faixa etária mais baixa, e serem submetidos a apenas um procedimento durante o ato cirúrgico. Encontramos resultados satisfatórios e segurança com a técnica cirúrgica. Nossos resultados assemelham-se ao demonstrado em outros serviços e sumarizados por Lafosse(2007).

Reforçamos, assim, a tendência que alguns serviços apresentam de optar pelo tratamento cirúrgico da rotura do subescapular por artroscopia. O resultados se mostram tão satisfatórios quanto os obtidos com a cirurgia aberta, mas com a característica menos invasiva.