Lesão do Bíceps Distal

Publicado em: 4 de maio de 2020 por Dr. José Carlos Garcia Jr.
Categorias: Lesões Cotovelo

Lesão do Bíceps na altura do cotovelo trata-se de uma lesão de urgência tipicamente cirúrgica principalmente em atletas, trabalhadores braçais e pacientes de alta demanda funcional.
É uma lesão de mecanismo bem definido de aplicação de força de cerca de 400 Newtons( aproximadamente 40kgf) contra o cotovelo em flexão de cerca de 90º, posição de maior torque do bíceps. Entretanto o mecanismo pode variar em atletas de alta performance.
Nessa lesão ocorre desinserção do tendão do músculo bíceps(lesão do bíceps) de seu ponto de fixação na tuberosidade biceptal no rádio. Alguns atletas de lutas de contato (Muy-thay, Vale-tudo ou Karate Kyokushin) podem apresentar uma lesão diferente mais alta no tendão, mais rara e de tratamento mais complexo. Trata-se de uma lesão tipicamente cirúrgica principalmente em atletas, trabalhadores braçais e pacientes de alta demanda funcional.
A cirurgia pode ser deixada de lado em idosos e pessoas de baixa demanda funcional que aceitem a deformidade estética (sinal de Popeye).
O tendão sobe em direção cranial conferindo um aspecto estético em geral desagradável. As perdas funcionais são de cerca de 40 a 60% de perda de força para supinação e 20 a 30% de perda para flexão.
Agudamente dor e equimose(roxo) local podem aparecer, mas esses sinais e sintomas regridem rapidamente. As lesões do bíceps distal são consideradas urgências, devendo ser operadas o mais rápido possível devido à possível retração muscular. Prazos maiores que 15 dias de lesão podem requerer utilização de enxerto de tendão.
Existem 3 principais abordagens cirúrgicas:
Via anterior: é a técnica mais antiga que demanda grandes cicatrizes além da maior possibilidade de lesão nervosa. Atualmente com mini vias menos agressivas, mas ainda com mais risco neurológico.
Dupla via: apresenta acesso cirúrgico amplo e sua principal complicação é a sinostose radio-ulnar proximal.
Mini dupla via: é nossa técnica de escolha por ser esteticamente excelente, apresentar mais segurança que a via anterior e com a mobilização adequada no pós-cirurgia. Apresenta baixíssimos índices de complicação. Em nossa experiência nenhuma sinostose radio-ulnar foi detectada. Possivelmente esse baixo índice de complicações ocorre devido a nosso protocolo próprio de reabilitação desenvolvido pela fisioterapeuta Jesely e ao sistema de fixação respeitando a biologia criado pelo grupo da Mayo Clinic e seguido rigorosamente por nós.
Após uma semana de tala de gesso, em geral o paciente inicia as atividades passivas diárias apenas utilizando uma tipóia simples. Na segunda semana iniciam os exercícios com elásticos. Particularmente cremos que a fixação com âncora que alguns autores apresentaram é inferior aos pontos transósseos, como indicado pela Mayo Clinic.
Quanto ao método de fixação o menos efetivo é o das âncoras, seguido pelo parafuso de interferência.

Os melhores resultados clínicos são com o método transósseo (pela miniduplavia da Mayo Clinic) e endobutton (por minivia anterior). Esses métodos unem a forte fixação com a melhor cicatrização biológica, atingindo excelente reintegração do tendão.
A cicatrização é mais rápida quando o tendão é inserido dentro do osso, em contato com a medula e suas células tronco. Os métodos de fixação por endobotton ou o transósseo, por respeitarem melhor os aspectos biológicos, parecem ser os de melhor indicação na minha opinião.

O índice de satisfação tem sido grande na nossa experiência com retorno às atividades físicas. A perda da cirurgia e complicações são incomuns. Não tivemos perdas no pós-operatório.

Gostaria de salientar que se trata de uma lesão de urgência e deve ser tratada o mais rápido possível, não devendo exceder quinze dias para seu tratamento.

No tratamento das lesões crônicas, ao contrário da que ocorre em curto prazo, podem ser esperadas dismetrias musculares estéticas e déficit de supinação no pós-operatório, e na maioria dos casos há necessidade de enxerto de tendão.


Trabalhos científicos da lesão do bíceps distal